Armando Vieira Pinto
[Viana do Castelo, 1906 - Lisboa, 1964]
Jornalista e dramaturgo, escreveu também para o cinema (o argumento e os diálogos de Fado, 1947, Não Há Rapazes Maus, 1948, Eram 200 Irmãos, de que também foi realizador, 1952) e a televisão, mas foi sobretudo no teatro que o seu talento versátil e dispersivo se afirmou.
Desencontro, a sua peça de estreia, que subiu à cena no Teatro Nacional em 1935, constituiu uma brilhante prova de escrita moderna, dentro da linha naturalista adoptada. Seguiram-se-lhe o drama Jesus (1936) e uma série de peças de intenção didáctica destinadas ao Teatro do Povo (Os Três Desejos, Brasil, Alvorada, Ambição e Portugal, 1936-40), sem dúvida a parte menor da sua obra.
Esta compreende ainda a peça em 1 acto O Mensageiro da Paz (1941), a comédia Coristas (1942), vigorosa denúncia da engrenagem em que assenta certo teatro comercial e dos interesses que lhe estão subjacentes, inquinada no entanto por um pendor melodramático que irá acentuar-se na sua peça seguinte, Direito à Vida (1943); e uma serôdia incursão na estética vanguardista com À Esquina da Noite (1956), além de várias peças inéditas (Águas-Furtadas e Tu e Eu Somos Quatro, ambas escritas em colaboração com L. F. Rebello; Eva, A Voz dos Heróis, Quando as Estrelas se Apagaram, e a que é talvez a sua melhor obra, a sátira Vida Fácil, escrita em 1943 e cuja representação a censura proibiu).
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997