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sexta-feira, 19-04-2019
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Biografia

Biografia
                  

M. S. Lourenço  
[Sintra, 1936 - Lisboa, 2009]  

Poeta e ensaísta.

Manuel António dos Santos Lourenço, de seu nome completo. Director da revista Disputatio, especializada em estudos de filosofia analítica. Formou-se em Lisboa e Oxford, e é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tendo-se doutorado em 1980, com uma tese sobre Wittgenstein - A Espontaneidade da Razão: A Analítica Conceptual da Refutação do Empirismo na Filosofia de Wittgenstein (editada em 1986) – foi docente em universidades inglesas, norte-americanas e austríacas.

O facto de, por largos períodos, ter mantido residência académica fora do país (Oxford, 1965-72; EUA, 1972-80; Innsbruck, 1983-84) terá contribuído para um relativo apagamento da sua figura – apagamento de todo desproporcional à excepcional qualidade da obra; mas decerto não justifica a célebre gaffe de João Gaspar Simões, que o deu como morto há mais de vinte anos: «...nado em Sintra, mas escrevendo em português em Inglaterra, onde viveu e morreu» (recensão crítica a Pássaro Paradípsico, in Diário de Notícias, 25 de Maio de 1980). Nesse texto, J.G.S. fala de «génio poético» e num «misto de angústia geométrica e de angústia metafísica».

Autor de uma obra de iniludível pendor filosófico, pouco divulgada e dificilmente catalogável, dotada de humor, gnosticismo e nonsense, M. S. Lourenço articula com rara maestria o lirismo pós-surrealista com alguns peculiares formalismos de linguagem. António Ramos Rosa chama a atenção para «a paradoxal coexistência de um lirismo de inspiração religiosa com um veio de humor e de irreverência», aspecto que contribui para potenciar o «dinamismo subversivo» da escrita do autor.

Grande parte dos seus textos ensaísticos, avulsamente publicados em revistas da especialidade, pode ser lida à luz das correntes contemporâneas do pensamento anglo-saxónico. Fora do âmbito dessas publicações, encontra-se colaboração de sua autoria na revista Colóquio-Letras e no semanário O Independente. Entre outras obras menos conhecidas (de Guardini, Guitton, Kneale, etc.), traduziu e prefaciou o Tratado Lógico-Filosófico, de Ludwig Wittgenstein, bem como O Teorema de Gödel e a Hipótese do Contínuo, de Kurt Gödel. As traduções e os livros didácticos de filosofia, assim como Pássaro Paradípsico, vêm assinadas por Manuel Lourenço.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999