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terça-feira, 19-02-2019
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Biografia

Biografia
                  

Manuel Ferreira  
[Gândara dos Olivais, Leiria, 1917 - Linda-a-Velha, Oeiras, 1992]  

Ficcionista e ensaísta. Depois de ter tirado o curso de Farmácia na Escola Médica de Goa, licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas pela Universidade Técnica de Lisboa. E após ter estado preso por motivos políticos (1938-1939), prestou serviço como oficial do Exército nas antigas colónias portuguesas de Cabo Verde (1941-1947), Índia (1948-1954) e Angola (1966-1967), tendo atingido o posto de capitão. Visitou a Nigéria e a Guiné-Bissau em 1976.

Em Cabo Verde, onde casaria com a escritora Orlanda Amarilis, para além de ter convivido com os poetas e prosadores locais, colheu, por um lado, materiais humanos e linguísticos que viriam a reflectir-se na sua obra de ficção e, por outro, uma paixão pela literatura africana de língua portuguesa que marcaria toda a sua actividade de divulgador, ensaísta e, finalmente, de professor. Foi ele quem, depois do 25 de Abril, introduziu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa a cadeira de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, cadeira que pela primeira vez se dava em Portugal e que regeu até morrer. Foi ainda, na mesma Universidade, co-director do Instituto de Estudos Africanos. Nesta área, quer na divulgação, quer na crítica dos poetas e prosadores africanos que se exprimem em português, Manuel Ferreira tem sido acusado de falta de selectividade nos autores que tratou ou divulgou.

Maleitas do seu pioneirismo – antes dele, praticamente e por óbvias razões, só havia sido tratada a sério a literatura cabo-verdiana – e, sobretudo, de época, facilmente perdoáveis se atendermos às portas que ao estudo de uma tal matéria abriu. De qualquer modo, os seus ensaios, as suas antologias e biografias, a sua participação em obras colectivas e os numerosos prefácios que escreveu são hoje incontornáveis para os estudiosos das literaturas africanas.

Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores.

Como ficcionista, a sua obra integra-se na corrente neo-realista inicial, e o mor dela trata da realidade africana, em especial da do povo cabo-verdiano –, quer a do Arquipélago, quer a da emigração –, povo onde bebeu, como já se disse, inspiração e contaminações do crioulo que marcam positivamente obras como os contos reunidos em Morna e Morabeza e os romances Hora Di Bai e Voz de Prisão.

Escreveu também alguns volumes de literatura infanto-juvenil.

Uma parte da sua obra, quer de ficcionista, quer de ensaísta, está publicada no estrangeiro, nomeadamente: Brasil, Bulgária, Espanha, antiga Checoslováquia, França, Hungria, Polónia, Alemanha, Nigéria, Rússia, Ucrânia, Holanda e Estados Unidos da América.

Fundou e dirigiu a revista África (1978-1992), bem como as Edições ALAC - África, Literatura, Arte e Cultura, onde foram publicadas algumas obras de autores africanos e ensaios sobre a história das literaturas africanas de língua portuguesa.

Colaborou nas publicações culturais cabo-verdianas Certeza, Claridade e Cabo-Verde, nas moçambicanas Itinerário e Paralelo 20 e na açoriana Açoria. Em Portugal, colaborou principalmente em: Portucale, Seara Nova, Ocidente, Estudos Ultramarinos, Ver e Crer, Vértice, Colóquio Letras, JL e Loreto 13. Desta última revista, foi director a partir de 1983.

Dirigiu, organizou e prefaciou a colecção fac-similada da revista Claridade e, sob o título de O Canto de Ossobô, a obra poética de Marcelo da Veiga.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997