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quinta-feira, 16-04-2026
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Biografia

Biografia
                  

Humberto Delgado  
[Brogueira/Torres Novas, 1906 - Villanueva del Fresno/Badajoz, 1965]  

Militar e político; memorialista e autor de teatro radiofónico. Seguiu a arma de Artilharia, cujo curso completou em 1925, passando depois para a Aeronáutica, após se ter brevetado em 1928 como piloto aviador-observador. Em 1936 fez o curso do Estado Maior, atingindo os postos de brigadeiro aos 45 anos e de general aos 47. Participou no movimento «28 de Maio», de que foi activo defensor; de 1941 a 1943, representou Portugal nos acordos secretos para a cedência ao Reino Unido das bases dos Açores; director da Aeronáutica Civil, deve-se-lhe a criação da TAP em 1945; de 1951 a 1956, foi adido militar junto da NATO, em Washington; quando regressou vinha convertido à democracia, iniciando um período de crítico e de adversário do Estado Novo.

Em 1958, candidatou-se a presidente da República pela oposição, através de uma campanha que mobilizou multidões e, simultaneamente, concitou os ódios de Salazar e dos seus seguidores. Tendo contestado os resultados eleitorais, teve de se refugiar na Embaixada do Brasil, país para onde seguiria meses depois como exilado. A partir dali passou a dirigir um movimento de oposição à ditadura portuguesa. Nesse quadro, visitou clandestinamente Moçambique, em 1960, onde teve contactos com a oposição democrática e com militares ali em serviço com vista a um levantamento contra o regime a partir daquela então colónia; planeou e dirigiu o assalto ao paquete «Santa Maria», em 1961; esteve clandestinamente em Portugal aquando da revolta de Beja, em 1962; e fez numerosas viagens, nomeadamente à Argélia e a alguns países europeus, até que em 13 de Fevereiro de 1965 foi atraído a uma cilada na fronteira entre Espanha e Portugal, próximo de Badajoz, e ali assassinado pela PIDE. Em 5 de Outubro de 1990 foi trasladado para o Panteão Nacional.

Colaborador de várias revistas, nomeadamente a Defesa Nacional, quer com artigos sobre temas militares e aeronáuticos, quer com textos literários, escreveu também teatro radiofónico que foi radiodisperso pela antiga Emissora Nacional e depois editado. Mas a sua estreia como autor é feita com o livro Da Pulhice do Homo Sapiens (1933), uma obra apologética do Estado Novo.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997