Augusto Casimiro
[Amarante, 1889 - Lisboa, 1967]
Oficial do Exército, memorialista, cronista, poeta, ensaísta e tradutor.
Fez os estudos primários e liceais em Amarante, sua terra natal. Aos 16 anos assentou praça no Regimento de Infantaria de Coimbra onde também frequentou os estudos universitários. Concluiu o Curso de Infantaria da Escola do Exército em 1909.
Estreou-se como poeta em 1906, com o livro Para a vida, iniciando pouco depois a sua colaboração regular na imprensa periódica (A Águia, Alma Nova, Amanhã, Atlântida, Azulejos, Boletim Geral das Colónias, Coimbra dos Poetas, Conímbriga, Cultura, O Diabo, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, O Domingo, Gente Nova, Gente Nova, Ideia Livre, Ilustração Popular, A Manhã, Mocidade Africana, A Nossa Revista, Notícias da Madeira , Panorama, Portas do Sol, Portucale, Portugal em África, Província de Angola, A Rajada, A Revolta, República, Serões, Seara Nova, de que foi cofundador, em 1921, e director entre 1961 e 1967, Tempo, Tradição, Tríptico, A Vida, Vida Portuguesa e A Vitória.
A sua participação na Campanha da Flandres (1917-18), durante a Primeira Guerra Mundial, de que resultaram os livros Nas Trincheiras da Flandres (1919) e Calvários da Flandres (1920), valeu-lhe várias condecorações (Cruz de Guerra, fourragère da Torre e Espada, Ordem de Cristo, medalha de Ouro de Bons Serviços, Military Cross, Legião de Honra, Ordem de Avis e Ordem de Santiago).
Foi professor no Colégio Militar, Governador do Distrito do Congo e Secretário Provincial e Governador interino de Angola (1923-1926). Escreveu várias obras, entre ficção e ensaio, sobre temática de carácter colonial, tendo mesmo sido por duas vezes galardoado com o Prémio de Literatura Colonial.
Republicano e opositor ao Estado Novo, envolveu-se na Revolta da Madeira (1931), esteve preso na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, regressando a Lisboa em 1936. Em 1937 foi reintegrado no Exército Português, na reserva. Fez parte do Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em apoio à candidatura presidencial de Norton de Matos (1949) e, em 1958, foi membro da comissão central da candidatura de Arlindo Vicente à presidência da República.
Amigo de Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão (de quem era cunhado) e Raúl Proença, foi um poeta voltado para temas marítimos, patrióticos e amorosos, eivados de religiosidade, saudosismo, amor à vida e aos valores tradicionais.
Usou o pseudónimo de Maria de Castro na primeira série de A Águia.
Centro de Documentação de Autores Portugueses
03/2014