Ignorar Comandos do Friso
Saltar para o conteúdo principal
sexta-feira, 28-04-2017
PT | EN
República Portuguesa-Cultura Homepage DGLAB

Skip Navigation LinksPesquisaAutores1

Biografia

Biografia
                  

Eugénio de Andrade  
[Póvoa da Atalaia, Fundão, 1923 - Porto, 2005]  

Eugénio de Andrade
José Fontinhas de seu nome civil, nasceu em 19 de Janeiro na Beira Baixa. Em 1932 muda-se para Lisboa com a mãe «figura crucial na sua vida e na sua poética. Naquela cidade, onde passará toda a adolescência, descobre a sua vocação literária e convive com alguns escritores e poetas. Publica, em 1940, Narciso, o seu primeiro volume de poemas, a que se seguem Pureza (1942) e Adolescente (1945). Destes três livros, depois de expurgados pelo autor, foram publicadas diversas composições numa antologia intitulada Primeiros Poemas, cuja primeira edição data de 1977.

Entre 1943 e 1946 Eugénio de Andrade encontra-se em Coimbra, onde estabelece relações de amizade com alguns dos maiores vultos da literatura e do pensamento portugueses da época, como Miguel Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço. Em 1947 torna-se funcionário público, exercendo durante os trinta e cinco anos que se seguiram as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Por razões de serviço passa em 1950 a residir no Porto, cidade que adoptou desde então para viver e da qual é cidadão honorário.

Poeta consagrado, o autor não se limitou porém à poesia: escreveu diversos ensaios e prefácios, tendo também colaborado em numerosas publicações – Cadernos de Poesia (1ª série), Árvore, Cadernos de Literatura, Cadernos do Meio Dia, Cassiopeia, Colóquio e Colóquio-Letras, Estrada Larga (antologia do suplemento «Cultura e Arte» de O Comércio do Porto), Gazeta Musical e de Todas as Artes, Horizonte, Itinerário (de Lourenço Marques, hoje Maputo), Mundo Literário, Persona, Vértice e Seara Nova.

Escreveu dois livros dedicados à infância: A Égua Branca e Aquela Nuvem e Outras.

Traduziu Poemas de García Lorca (1946), antologia de versos do poeta espanhol, as Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado (1969), Poemas e Fragmentos de Safo (1974) e Trocar de Rosa (1980), selecção de poesia de diversos autores estrangeiros. Além disso, organizou, seleccionou e prefaciou diversas antologias temáticas de poesia portuguesa, algumas delas dedicadas a autores – como Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões (1972), Fernando Pessoa, Poesias Escolhidas (1995) – outras versando cidades portuguesas – Duas Cidades: antologia sobre o Porto e Coimbra (1971), Cancioneirinho de Coimbra: antologia da Poesia Moderna sobre Coimbra (2.ª ed., 2002).

Grande parte dos livros de Eugénio de Andrade estão traduzidos, ora em volumes autónomos, ora em antologias e revistas literárias estrangeiras.

Privando com os grandes nomes da literatura portuguesa, tanto da sua geração como das seguintes, Eugénio foi amigo íntimo de poetas de estéticas muito diversas – como Sophia de Mello Breyner, Mário Cesariny ou Luís Miguel Nava – e de críticos consagrados, como Óscar Lopes, António José Saraiva, João Gaspar Simões, Fernando Pinto do Amaral e Arnaldo Saraiva; por outro lado, poeta do mundo, entusiasta de viagens dentro e fora de Portugal, que poeticamente descreve (por exemplo, em Escrita da Terra, de 1974), conhece e corresponde-se com autores estrangeiros, como Angél Crespo, Vicente Aleixandre, Luís Cernuda e Marguerite Yourcenar.

Apesar de o autor se resguardar da vida pública, a obra de Eugénio de Andrade tem vindo a ser reconhecida através da atribuição de vários prémios e condecorações. Assim, o Governo português outorgou-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada (1982) e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito (1988). Também o Município do Porto (como, de resto, outros municípios, como Oeiras e Fundão) quis distinguir o poeta, atribuindo-lhe a Medalha de Mérito (1985) e a Medalha de Honra (1989) da Cidade. No estrangeiro, recebeu a Medalha da cidade de Bordéus (1990) e a Medalha da Universidade Michel de Montagne da mesma cidade (2001, durante uma homenagem no Carrefour des Littératures). É membro da Academia Mallarmé (Paris), membro fundador da Academia Internacional «Mihai Eminescu» (Roménia) e da Academia Mondiale della Poesia.

Em 1986 o poeta recebeu o prémio da Associação Internacional de Críticos Literários e em 1987, por Vertentes do Olhar, o Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus. Em 1989, O Outro Nome da Terra mereceu-lhe o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989); no mesmo ano recebeu o Prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia estrangeira editado em França (tradução de Branco no Branco). Na Jugoslávia é-lhe atribuído em 1996 o Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz. No ano 2000 foi galardoado com o Prémio Extremadura de criação literária (prémio de carreira para autores da Península Ibérica e da América Latina), com o Prémio Celso Emilio Ferreiro, para autores ibéricos, e com o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. Finalmente, em 2001, Eugénio de Andrade viu a sua vida literária de mais de sessenta anos reconhecida com o Prémio Camões, o mais importante prémio atribuído a autores de língua portuguesa. Em 2002 recebeu o Prémio de Poesia do Pen Clube Português.

Dos poetas portugueses do século vinte, Eugénio de Andrade foi, talvez, aquele que mais se aproximou das raízes da cultura portuguesa, servindo-se dela e servindo-a, como diz Óscar Lopes, através da «evidência de um paraíso puramente terrestre, emanação do desejo e perceptível à simples transparência dos ritmos frásicos orais, das conotações de um léxico severamente escolhido e sobre o qual opera um permanente movimento de metáfora para um mesmo conjunto de elementos míticos fundamentais: a terra densa com os seus frutos e corpos; a água fluvial ou marinha; o ar, ou tudo o que há de volátil; o lume, ou ardor, ou ainda a luz pura de um Abril adolescente, de um Verão a prumo, ou de um Outono dourado a rever-se, a desdobrar-se em perduração aprilina, juvenil.» E neste universo de um paganismo de raízes fundamentalmente autóctones, destaca-se o primordial dessas raízes – e continuamos a citar Óscar Lopes: ora «a lírica solar, meridional, mediterrânica da presença sensível», ora «aquilo que parece ter sido a mais importante relação humana do poeta, a relação com a mãe (...)». Cada um dos poemas de Eugénio encerra na sua unidade um depuradíssimo trabalho da língua, que o poeta sente como sendo o seu mais importante compromisso e maior dádiva original.

A casa do poeta, no Passeio Alegre (Foz do Douro – Porto), albergou durante vários anos a Fundação Eugénio de Andrade (extinta em 2011), instituída para divulgação e estudo da sua obra. Ali ocorreram regularmente encontros de poetas. A Fundação editou também os Cadernos de Serrúbia, revista de estudos sobre poesia.
Centro de Documentação de Autores Portugueses
01/2015