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sábado, 07-03-2026
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Biografia

Biografia
                  

Adelino da Palma Carlos  
[Faro, 1905 - Lisboa, 1992]  

Adelino da Palma Carlos
Jurista e político. Fez os estudos secundários em Lisboa, na Escola Académica e no Liceu Passos Manuel, tendo sido presidente da Associação Académica deste último. Terminado o liceu, em 1921, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde, em 1923, fundaria a Liga da Mocidade Republicana.

Licenciou-se em 1926, com a mais alta classificação do seu curso, montou banca de advogado em Lisboa, para, logo no ano seguinte, iniciar a lista das suas muitas famosas causas: a defesa do general Sousa Dias e do coronel Freire, nada menos do que os chefes da primeira revolução contra a Ditadura, o célebre «7 de Fevereiro». A esta causa seguir-se-iam, nos anos 30 e 40, muitas outras igualmente famosas, ora do foro criminal, como o «Caso das Irmãs Primavera», o «Caso da Companhia Nacional de Navegação» ou as burlas dos seguros de vida e dos estanhos, ora do foro político, como a defesa dos implicados no movimento revolucionário de 10 de Abril de 1947.

Em 1930, passou a exercer o lugar de assistente do Instituto de Criminologia de Lisboa, a que se candidatara em concurso público, e, em 1934, apresentou-se a provas de doutoramento na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo sido aprovado por unanimidade. No ano seguinte, 1935, concorreu a docente da mesma Faculdade, mas como entretanto, havia sido demitido do Instituto de Criminologia, ao abrigo da Lei de Defesa do Estado pouco tempo antes publicada, não chegou a ingressar no lugar que na Universidade pretendia. Em 1951, porém, a sua competência e prestígio falaram mais alto, e a Faculdade de Direito de Lisboa recebeu-o como professor de Direito Processual Civil e de Prática Extrajudiciária, tendo passado a professor catedrático em 1958. Após o «25 de Abril», presidiu ao Primeiro Governo Provisório.

Por estranho que pareça, este criminologista, este jurista, este autor dos consagrados Direito Processual Penal, Direitos Reais e , este último em cinco volumes, e de muitas outras obras de jurisprudência, publicadas em livro ou dispersas por comunicações a congressos e revistas da especialidade, foi também poeta, tendo-se estreado em livro com apenas 18 anos. Não continuou, foi pela biografia dos seus exemplos, pela jurisdição, pela pedagogia, pela política, o que nem sempre quererá, em utopia, dizer caminho contrário.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997