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sexta-feira, 19-04-2019
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Biografia

Biografia
                  

Luís de Sousa Rebelo  
[Lisboa, 1922 - S. João do Estoril/Cascais, 2010]  

Formou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e fez quase toda a sua carreira académica em Inglaterra.

Leitor de Cultura Portuguesa na Universidade de Liverpool (1948-54), inaugurou os Estudos Portugueses em Dublin (1952-54), no Trinity College. Foi então convidado pelo Instituto de Alta Cultura para trabalhar com o Professor Charles Boxer no King's College, Universidade de Londres. Leitor de Estudos Portugueses nesta Universidade, é Lecturer desde 1957. Promovido a Reader em 1983. Em 1985 é director de Estudos Associado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. O título de Professor Emérito da Universidade de Londres é-lhe conferido em 1987. Nesse mesmo ano é feito Calouste Gulbenkian Senior Fellow e Professor Catedrático Visitante no King's College. É académico associado da Academia das Ciências de Lisboa e Comendador da Ordem de São Tiago da Espada.

Investigador e autor de numerosos estudos sobre personalidades fulcrais e temas das culturas portuguesa e inglesa, publicados em obras nacionais e estrangeiras, tem estudado particularmente o discurso do poder nos séculos XV e XVI, o Humanismo e o Renascimento. Autor de Shakespeare para o Nosso Tempo (1961-69, 3 vols.) e responsável pela colecção «Estudos e Ensaios» da Prelo Editora, onde publicou Camões e o Pensamento Filosófico do Seu Tempo (1979).

Em A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa (1982), obra distinguida com o prémio da Crítica do Pen Club (1983), o autor renova o estudo das influências literárias, dando mais importância à criação individual e à dinâmica da intertextualidade na escrita do que à imitação. A contribuição mais original deste livro reside na caracterização do humanismo português, feita ao nível do discurso. Surgem aí temas de perturbante actualidade – a liberdade e o poder político, a situação da mulher na sociedade portuguesa de Quinhentos, o problema do Outro, entrevisto na perspectiva da expansão marítima –, reflexos, às vezes, das tensões ideológicas entre facções da classe dominante.

Em A Concepção do Poder em Fernão Lopes (1983), Sousa Rebelo analisa a problemática do discurso histórico do cronista, situando-o dentro do horizonte cultural que define a mentalidade da época. Logra, assim, explicar o plano da estrutura narrativa e decifrar os códigos da alegoria política do «evangelho português», tantas vezes admirado e só parcialmente entendido, que consagra o novo poder instaurado pela força do braço popular. Mostra que o discurso histórico, discurso da legitimidade, é também o discurso da utopia tornada possível pela acção revolucionária. Nele examina algumas questões cruciais – o carisma do chefe; a autoridade messiânica e os seus efeitos na mentalidade colectiva; o papel dos franciscanos como agentes políticos inspirados pela doutrina joaquimita e pelo igualitarismo de Santo Ambrósio.

Prosseguindo esta linha de pesquisa, alargou os seus interesses aos livros de viagens, ao seu processo de recepção no imaginário colectivo, ao estudo da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Os problemas da ficção e da história e a importância do horizonte cultural na literatura, a história de ideias, merecem a sua atenção em diversos estudos publicados, que se estendem ao século XIX e a alguns escritores contemporâneos.

Traduziu do inglês alguns autores, a saber, William Faulkner, William Golding e Shakespeare. Deste último destaque-se a tradução de Romeu e Julieta, representada no Teatro D. Maria II (1961-62). Assinou inúmeros trabalhos científicos publicados em Portugal, Reino Unido, França e Brasil.

«No domínio da ensaística literária gostaria de salientar em primeiro lugar A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa de Luís de Sousa Rebelo. Pela sólida erudição que a fundamenta; pelo método rigoroso que a estrutura enquanto trabalho de investigação profunda e inteligente; pela vitalidade dos seus juízos, aquela obra contém como que todos os elementos para se tornar um marco obrigatório nos estudos literários» (Manuel Frias Martins, Colóquio/Letras, nº. 72, Março de 1983).
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998