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quinta-feira, 15-10-2026
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Biografia

Biografia
                  

Lídia Jorge  
[Boliqueime, Loulé, 1946]  

Lídia Jorge fotografada por Luísa Ferreira para o IPLB
Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia Guerreiro Jorge nasceu em Boliqueime em 1946.

Licenciada em Filologia Românica, foi professora liceal em Lisboa e em África – Angola e Moçambique – para onde partiu em 1970. Ali viveu o marcante ambiente da Guerra Colonial, que mais tarde descreveria no romance A Costa dos Murmúrios através da perspectiva de uma personagem feminina, a mulher de um oficial do exército português de serviço em Moçambique.

De regresso a Lisboa continuou a actividade docente e, em 1980, publicou o romance O Dia dos Prodígios, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa. Esta sua primeira obra publicada deve um impulso à revolução de Abril de 1974: O Dia dos Prodígios constrói-se como uma alegoria do país fechado e parado que Portugal era sob a ditadura, permanentemente à espera de uma força que o transformasse. O romance teve grande impacto junto do público e da crítica e Lídia Jorge foi de imediato saudada como uma das mais importantes revelações das letras portuguesas e uma renovadora do nosso imaginário romanesco.

A linguagem narrativa deste romance e do seguinte – O Cais das Merendas – remete para a atmosfera do realismo mágico, sobrepondo vários planos narrativos numa estrutura polifónica de onde se destacam personagens que adquirem uma dimensão metafórica, ou mesmo mítica. A autora tem entretanto vindo progressivamente a adoptar um tom mais realista, nomeadamente em O Jardim sem Limites, onde à pequena aldeia de Vilamaninhos, que simbolizava no seu primeiro romance o Portugal pequenino e arcaico, se substitui Lisboa, a metrópole europeia onde se cruzam todas as influências e se rarefazem identidades e territórios. Nos romances de Lídia Jorge, a condição sócio-cultural das personagens, sobretudo as femininas, reflecte-se em diálogos, testemunhos a que não é alheia a atenção que a autora dispensa à tradição oral, em relação directa com a crónica da nossa história recente, antes e depois da revolução. A sua peça para teatro (A Maçon) procura um tempo mais remoto, os primeiros anos da ditadura, para retratar a condição feminina imposta pela ideologia do Estado Novo e a perda de liberdades (também) por parte das mulheres.

Foi distinguida com diversos prémios literários, entre os quais se destacam: Prémio Malheiro Dias (1981), Prémio D. Dinis (1998), Prémio de Ficção do PEN Clube Português (1999 e 2023), Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (2002 e 2022), Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006), Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (2007), Prémio da Latinidade (2011), Prémio Virgílio Ferreira (2015), Prémio Medicis e Prémio Eduardo Lourenço (ambos em 2023). Foi distinguida com o Prémio Pessoa 2025, uma das mais altas honras no panorama cultural nacional, reconhecendo o seu contributo excecional para a literatura e o debate cívico em Portugal. Em 2026, Lídia Jorge foi galardoada com o Prémio Camões 2026, distinção maior que reconhece autores cuja obra tenha contribuído de forma relevante para a projeção e valorização da língua e cultura portuguesas. Em sua homenagem, foram criadas as Cátedras Lídia Jorge nas Universidades de Genebra (2021), Massachusetts (2022) e Goiás (2024).

No plano cívico e institucional, integrou o Conselho Geral da Universidade do Algarve, a Alta Autoridade para a Comunicação Social e é Membro do Conselho de Estado (2021–2026), nomeada pelo Presidente da República. Foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2005) e com o grau de Commandeur des Arts et des Lettres (2025). É Doutora honoris causa pelas Universidades do Algarve (2010) e de Aveiro (2024).

Os seus livros estão traduzidos para diversas línguas, como alemão, galego, búlgaro, castelhano, esloveno, grego, francês, hebraico, húngaro, italiano, holandês, romeno, sueco e inglês, entre outras.
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