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terça-feira, 23-07-2019
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Biografia

Biografia
                  

Jacinto do Prado Coelho  
[Lisboa, 1920 - Lisboa, 1984]  

Jacinto do Prado Coelho
Em 1941 conclui a licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa. Dois anos volvidos, inicia ali uma carreira académica a cujo topo ascende em 1953, altura em que se torna catedrático titular de Literatura Portuguesa Moderna.

A sua trajectória intelectual parece cumprir-se em torno do objectivo maior de retirar os estudos linguísticos do seu domínio primacial, reenviando-os para problemáticas mais próximas da análise literária; estes dois níveis interpretativos, defende Prado Coelho, poderão compatibilizar-se por intermédio do conceito de estilo, a um tempo «instrumento de criação» e «signo estético».

É certo que jamais abandonará posições de assinalável destaque nos principais organismos encarregues do estudo e divulgação da língua portuguesa: presidente da direcção do Centro de Estudos Filológicos entre 1954-1965; sócio correspondente (a partir de 1955) e efectivo (depois de 1962) da Academia das Ciências de Lisboa, instituição que o nomeia responsável pela comissão de redacção do seu Dicionário de Língua Portuguesa e o faz chegar a presidente da direcção no ano de 1972.

Mas é o interesse pelos escritores portugueses que estruturará o essencial da actividade de investigador de Prado Coelho. Verificável desde logo na tese de doutoramento, apresentada em 1947 e que traz o título Introdução ao Estudo da Novela Camiliana. De Camilo Castelo Branco será ainda, a partir de 1965, responsável pela edição das Obras, com mais de seis dezenas de volumes publicados até final da década de setenta.

E mais dois outros nomes de primeira água do panorama literário captam a sua atenção de estudioso e divulgador.

Ao poeta da Mensagem dedica um ensaio seminal intitulado Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa – impresso pela primeira vez em 1947 e sucessivamente referenciado como instrumento incontornável na análise dos heterónimos –, de quem irá igualmente fazer publicar quatro diferentes obras com muitos textos ainda inéditos: Quadras ao Gosto Popular; Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação; Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias; Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (2 vols., 1982), que prefaciou e organizou com o cuidado linguístico de respeitar a ortografia original, o que lhe confere maior autenticidade emocional.

O outro autor é Teixeira de Pascoaes, sobre quem redige vários artigos, responsabilizando-se ainda pela organização e anotações críticas das suas Obras Completas. E muitos mais escritores, dos quais cumpre destacar Camões, Garrett, Eça ou Fialho de Almeida, foram amiúde alvo da sua atenção crítica.

O Dicionário das Literaturas Portuguesa Galega e Brasileira, que também dirige e cuja primeira edição tem data de 1960, traduz seguramente a primeira tentativa, entre nós, de percepcionar o território literário não apenas a partir da genealogia simples dos nomes emblemáticos, mas por meio de uma complexa rede de temas, correntes e problemas que cruzaram as diferentes épocas históricas, com particular incidência para as ramificações sociais do fenómeno literário.

Aliás, o trabalho académico de Prado Coelho espelha preocupações muito próprias da agenda da investigação europeia a partir do segundo pós-guerra. As reflexões consagradas à estilística, história, literatura comparada ou mesmo à teoria literária – neste particular as teses da chamada estética da recepção vão levá-lo a organizar na Faculdade de Letras um seminário sobre Sociologia da Leitura – serão uma constante ao longo da sua vida, em paralelo com a sistemática organização de um discurso pedagógico sobre o ensino da literatura.

Entre 1975 e 1984 dirige a revista Colóquio/Letras, editada pela Fundação Gulbenkian, ficando, assim também, directamente implicado no processo de consolidação de uma dinâmica, seja da publicação regular de estudos literários, agregando um núcleo cada vez mais alargado de críticos, seja de revelação de novos escritores do mundo da língua portuguesa, a que aquela revista, desde o seu aparecimento, tem estado ligada.

Preside à Sociedade Portuguesa de Escritores quando, em 1965, ocorre o lance mais dramático da vida da agremiação: sanciona a atribuição do Prémio de Novelística a Luandino Vieira, declarado opositor do regime salazarista, razão bastante para as autoridades políticas procederem ao encerramento das instalações da Sociedade.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998