Ignorar Comandos do Friso
Saltar para o conteúdo principal
quarta-feira, 15-04-2026
PT | EN
República Portuguesa-Cultura Homepage DGLAB

Skip Navigation LinksPesquisaAutores1

Biografia

Biografia
                  

Eduardo Prado Coelho  
[Lisboa, 1944 - Lisboa, 2007]  

Eduardo Prado Coelho fotografado por Luísa Ferreira para o IPLB
Licenciado em Filologia Românica, foi leitor da Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Aix-en-Provence, assistente da Faculdade de Letras de Lisboa, doutorando-se em Teoria Literária com uma tese publicada sob o título de Os Universos da Crítica.

Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e a partir 1987 professor na Sorbonne / Paris III. Nomeado conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris no ano seguinte, marcou logo esse ano de 1988 como comissário de um dos principais acontecimentos no âmbito das letras em França, «Les Belles Étrangères», dedicado a Portugal. Foi igualmente o director responsável para a área de Literatura e Teatro da Europália - Portugal 1991. A sua reconhecida inteligência e a actividade entusiasta no domínio das artes e do pensamento contemporâneo conseguiu desenvolver as relações interculturais entre os dois países de forma notória, inclusivamente a nível da imprensa e das editoras, atraindo a curiosidade do grande público francês não académico para ficcionistas, poetas, ensaístas e cineastas portugueses, sem esquecer a dança, a fotografia e o teatro.

Foi, aliás, esta imagem de crítico literário e cinematográfico que EPC deixou entre os leitores de quotidianos portugueses, assim como, a partir dos anos 60, a de divulgador no âmbito dos problemas linguísticos, da cultura e das questões sociais e políticas, em que o autor foi intervindo regularmente. Manteve-se, aliás, como colaborador activo de um prestigiado jornal português enquanto conselheiro cultural, enviando de Paris a sua colaboração pessoalíssima sob a forma de crónica semanal. Essa colaboracão havia sido dispersa por suplementos juvenis e publicações de estudantes até iniciar a sua actividade como crítico literário nas páginas da Seara Nova, passando mais tarde para o suplemento literário do Diário de Lisboa onde colaborou igualmente como crítico de cinema (e a este título escreveu também em A Capital. Foi também colaborador regular do Comércio do Porto e das revistas Colóquio, Vértice e O Tempo e o Modo.

Em 1972 o seu livro O Reino Flutuante reúne grande parte dos textos de crítica literária dispersos pelo Diário de Lisboa e pela Seara Nova entre 1963 e 1969. Em 1988, A Noite do Mundo que reúne textos heterogéneos, publicados e inéditos, escritos entre 1984 e 1987, de diferentes eixos temáticos como literatura portuguesa, autores das letras contemporâneas internacionais, abordagens da actualidade política nacional e internacional, contribuições de carácter teórico ou reflexivo e ainda textos relativos às artes visuais. Além de Os Universos da Crítica e da Mecânica dos Fluidos (Prémio PEN Clube 1984), de que Silvina Rodrigues Lopes salientou a irradiação interactiva dos textos que funcionam numa configuração «a que poderíamos chamar efeito de ressonância» – foram os livros a que o público mais aderiu, até ao acontecimento literário que marcou, em relação aos incondicionais do ensaísta, o Natal de 1992: o aparecimento do primeiro volume de Tudo o Que Não Escrevi, diário inédito, que começa a 12 Setembro de 91 e termina no último dia de Fevereiro de 92. A extrema proximidade entre o último texto escrito e publicação do livro propicia o encontro do leitor com o autor num espaço vivencial quase coincidente; o risco – decerto ponderado pelo autor quando a palavra «Livre», na contracapa, mais do que conjugada, se transforma numa espécie de manifesto – é que o mesmo possa ser considerado «datado» para quem o deixar por ler muito tempo depois da publicação. Retrospectiva saboreada «a quente, de acontecimentos e personagens da nossa contemporaneidade socio-cultural, de que nos fala com o visível prazer de quem comunica abertamente. Desde o detalhe da «leitura com lápis» que EPC pratica, até aos conceitos pessoais sobre aquilo que é «uma boa escrita», ou uma boa tradução que faz com que se pegue num livro e «apeteça dá-lo», até considerações sobre «o interminável murmúrio dos textos», o «esfarelamento da biblioteca», a «biblioteca-seguro-de-vida», passando por definições que segmentam e interrogam o próprio texto, como «...nunca se conta tudo. Como, apesar de tudo, se selecciona?» (p. 233), ou «...a fórmula "diário" tem precisamente esta vantagem e esta limitação: permite dizer exactamente o que se pensa, ou se julga pensar, nos termos da conjuntura emocional que nos determina e mobiliza, sabendo nós que isto não tem importância nenhuma daqui a meia dúzia de dias.» (p.332). É «a imagem vivida da cultura» a mesma que o autor diz constituir a sua utopia pessoal, que o rigor e a generosidade de Eduardo Prado Coelho transformou numa formula diarística inovadora, e se tornou responsável pela adesão de muitos leitores, iniciando-os na passagem imperceptível do ritual dos jornais para o dos livros.
Centro de Documentação de Autores Portugueses
12/2002