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domingo, 27-09-2026
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Biografia

Biografia
                  

Diogo do Couto  
[Lisboa, 1542 - Goa, 1616]  

Diogo do Couto
Cronista dos feitos do Oriente e primeiro guarda-mor da Torre do Tombo de Goa.

Diogo do Couto foi educado sob a protecção do Infante D. Luís, de quem seu pai, Gaspar do Couto, «fidalgo de fresquíssima data», era servidor. Entrou aos onze anos no Colégio de Santo Antão da Companhia de Jesus, em Lisboa, onde teve como mestre de língua latina o humanista Pe. Manuel Álvares e como mestres de Retórica e de Esfera os padres Cipriano Soares e Francisco Rodrigues. Seguiu estudos no Mosteiro de Benfica como companheiro de D. António (futuro Prior do Crato), filho de D. Luís, onde foram instruídos na Filosofia e nas Artes Liberais por Fr. Bartolomeu dos Mártires.

Privado de protector com a morte do Infante, foi moço da Câmara do rei João III e, pouco depois, com a morte de seu pai, viu-se obrigado a mudar de estado seguindo a carreira das armas. Embarcou para a Índia em 1559 onde serviu dez anos como soldado. Regressou então ao Reino, na companhia de D. Antão de Noronha, a pedir recompensa pelos seus serviços. Na viagem encontrou-se com Luís de Camões em Moçambique, onde a armada invernara, seguindo os dois para Lisboa. Camões ter-lhe-á pedido que escrevesse um comentário histórico a Os Lusíadas, comentário que levou até ao 4º. ou 5º. canto.

«Bem despachado» por D. Sebastião, regressou à Índia em 1571 na armada de D. António de Noronha. Foi colocado na direcção dos armazéns de víveres de Goa e casou-se com Luísa de Melo, irmã de Fr. Adeodato da Trindade, mais tarde responsável pela revisão, provável censura e edições das suas obras.

Em fins de 1589 escreveu a Filipe II dizendo ter quase pronta uma Crónica geral da Índia (Década X), a partir da aclamação deste rei «naquelas partes» e requerendo a criação de um arquivo em Goa, candidatando-se ele próprio a seu guarda-mor. Em 1593 repetiu o pedido. A resposta de Filipe II chegou finalmente em 1595 encarregando-o de escrever os feitos dos portugueses no Oriente «desdo dia em que os acabou d'escrever João de Barros» e ordenando a construção de uma Torre do Tombo em Goa. Em 1602 uma nova carta régia de Filipe III insiste no cumprimento da provisão de 1595, alargando o acesso de Diogo do Couto a toda a informação de que este necessitasse.

A obra de Diogo do Couto sofreu diversos acidentes. «Nunca nenhum historiador, nem antes nem depois, viu os seus escritos roubados, extraviados ou destruídos como ele.» [G. D. Winius]; «O singular destino dos seus livros é das coisas mais extraordinárias da literatura portuguesa.» [R. Lapa] Em sua vida são publicados, em Lisboa, os volumes IV, V, VI e VII das Décadas, cujas datas são, respectivamente, 1602, 1612, 1614 e 1616. Deixou ainda em manuscrito mais quatro Décadas: a VIII e a IX, que tiveram de ser refeitas pelo autor; a X, que só em 1736 foi publicada e a XI que se perdeu ou foi destruída. Dela se conhece apenas um resumo, em edição de 1788.

Couto é um cronista que se apura na verificação dos factos e que procura dizer a verdade, ainda que esta prejudique alguns grandes cujas acções foram menos dignas; «foi o primeiro a identificar e a descrever em pormenor a síndrome da corrupção oficial» [G. D. Winius]. Sente que o grande fulgor do Império já havia passado e que a decadência minava a Índia, e se tornaria decerto inevitável se os homens continuassem a curar mais dos seus interesses e menos dos da coroa. Tal é a mensagem que se encontra nos dois diálogos do Soldado Prático. Inéditos até 1790, foram editados por António Caetano do Amaral sob o título de Observações sobre as principaes causas da decadencia dos portuguezes na Ásia escritas por Diogo do Couto em forma de diálogo com o título de Soldado pratico, publicadas por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa a partir de um códice que se conserva na Biblioteca desta Academia sob cota A-1572, contendo os dois diálogos de O Soldado Prático. Segundo António Coimbra Martins «o diálogo intitulado o Soldado prático português foi composto por Diogo do Couto na perspectiva da aclamação de D. Sebastião e da sua própria deslocação ao reino; o colóquio intitulado "Enganos e desenganos da Índia" [o segundo Soldado Prático] foi composto ou esquissado pouco depois do regresso de Couto a Goa; e foi por ele refeito em 1611.»

Compôs ainda algumas obras poéticas, elegias, canções, éclogas e sonetos, tanto em português como em latim e em italiano.
Centro de Documentação de Autores Portugueses
10/2004