Acácio Antunes
[Figueira da Foz, 1853 - Lisboa, 1927]
Jornalista e autor dramático, a parte mais relevante do seu intenso labor literário é constituída por traduções e adaptações de óperas cómicas, operetas, vaudevilles e zarzuelas de proveniência francesa, austro-húngara ou espanhola, notáveis pelo engenho com que adaptava à música original a letra das canções.
A sua estreia ocorreu em 1880, com uma versão da ópera cómica A Embaixatriz, a que se seguiram dezenas de outras, entre as quais algumas das mais conhecidas produções do género, como Sonho de Valsa, O Conde de Luxemburgo, A Casta Susana, Verónica, Os 28 Dias de Clarinha, Vénus, A Boneca, A Cigana, A Canção do Olvido e Paganini, de Franz Lehar, a última a subir à cena, pouco antes de falecer.
Traduziu peças do repertório naturalista, como Uma Visita, do norueguês E. Brandês, A Corrida do Facho, de P. Hervieu, O Leque, de Flers e Caillavet, A Raça de Azaral, de Linares Rivas, e, em versos de bom recorte, O Rei Diverte-se, de Victor Hugo (1890); extraiu do romance de Júlio Verne Atribulações de Um Chinês na China uma opereta com o título de Kin-Fá.
A sua obra original é, porém, constituída apenas por três comédias – As Onze e Meia, em 3 actos (1880), O Marido de Minha Mulher, em 1 acto (1917), e o Infanticida –, diversas cenas cómicas, monólogos e cançonetas, como O Estudante Alsaciano e Pão Fresco, que se tornaram extremamente populares e fizeram parte do repertório dos maiores actores do seu tempo, e revistas, uma das quais O Buraco, escrita em conjunto com Moreira Sampaio, se representou no Brasil com grande êxito em 1899.
Entre os seus colaboradores contam-se Gervásio Lobato, Sousa Bastos e Eduardo Schwalbach.
Publicou dois livros de versos: Aguarelas e Àguas-Fortes e Da Primavera ao Outono.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990