Ignorar Comandos do Friso
Saltar para o conteúdo principal
quinta-feira, 27-08-2026
PT | EN
República Portuguesa-Cultura Homepage DGLAB

Skip Navigation LinksPesquisaAutores1

Biografia

Biografia
                  

Norton de Matos  
[Ponte de Lima, 1867 - Ponte de Lima, 1955]  

Africanista, militar, diplomata, político e professor de Geodesia, deixou vasta bibliografia, onde se destaca a que dedicou às colónias portuguesas e a de carácter memorialista.

Já era licenciado em Matemática pela Universidade de Coimbra quando ingressou na Escola do Exército, onde tirou com distinção o curso de estado-maior. Em 1898 seguiu para a então Índia Portuguesa, onde desempenhou as funções de director dos Serviços de Agrimensura e de director de Obras Públicas.

É durante a sua estada na Índia que redige os seus primeiros trabalhos sobre geodesia, incluindo um Manual de Agrimensura, em 2 vols.

Regressou a Portugal em 1908, para no ano seguinte voltar ao Oriente, integrado na missão diplomática do general Joaquim José Machado, que na China negociou as fronteiras de Macau. De regresso a Portugal, foi colocado na Divisão Militar de Viseu, onde já se encontrava quando da implantação da República.

Em 1912 foi iniciado na Maçonaria, onde viria a reforçar o seu pensamento democrático no convívio de personalidades como Afonso Costa e Álvaro de Castro. Em 1912 foi nomeado governador-geral de Angola, cargo de que se demitiria, por motivos políticos, em 1915. Logo a seguir nomeado ministro das Colónias e, ainda no mesmo ano de 1915, ministro da Guerra, cabe-lhe nesta qualidade a tarefa de dirigir a preparação do exército português que participou na Primeira Grande Guerra.

Em finais de 1917, com a revolta de Sidónio, viu-se forçado a pedir asilo político a bordo de um barco de guerra inglês, que o levaria a Gibraltar. Seguiu-se um exílio de ano e meio em França e na Inglaterra, durante o qual foi demitido do Exército. Com a morte de Sidónio e o regresso ao regime político anterior, Norton de Matos volta a Portugal e é reintegrado no Exército, participando na delegação portuguesa à Conferência de Paz de 1919. No ano seguinte volta a Angola, como alto-comissário, cargo de que também pedirá a demissão em 1924.

A sua obra naquela colónia durante os dois períodos que ali esteve é de tal modo importante que mereceu as seguintes palavras do historiador Oliveira Marques: quando «a inveja e a intriga o forçaram a pedir a demissão, em Junho de 1924, as bases da independência de Angola, meio século mais tarde, tinham sido lançadas. Os dois governos de Norton de Matos foram quase tão importantes para a feitura de um novo Estado africano como a estada de João VI na América o foi para o futuro do Brasil independente.»

De 1924 a 1926, Norton de Matos é embaixador de Portugal em Londres. Com a Ditadura de 1926, foi demitido do seu cargo diplomático, preso e deportado para os Açores. Em 1929 foi eleito grão-mestre da Maçonaria. Maçonaria que haveria de ser tornada clandestina através de uma lei, promulgada em 1935, contra as sociedades secretas, mas que só visava aquela Ordem.

São célebres, nessa luta entre a Maçonaria e o Estado Novo, três textos de Norton de Matos: a «Mensagem ao Povo Maçónico» (1930), a «Mensagem à Grande Dieta» (1931) e a carta que dirigiu, em 31 de Janeiro de 1935, ao presidente da Assemblela Nacional, e também mação, Dr. José Altino dos Reis, a propósito do projecto de lei das sociedades secretas. A lei foi promulgada. Norton de Matos foi reformado compulsivamente.

Era desde 1926 professor de Geodesia do Instituto Superior Técnico e tornara-se pioneiro da fotogrametria em Portugal, especialidade sobre a qual escreveu alguns trabalhos. Após a aposentação dedicou-se à escrita das suas Memórias: 4 vols. que tiveram o sucesso de três edições seguidas nos próprios anos em que foram publicados e que constituem não só uma importante obra do memorialismo português mas também documento precioso para o estudo da 1ª. República e do colonialismo no primeiro quartel deste século.

Norton de Matos foi candidato às eleições presidenciais de 1949, de que teve de desistir perante as condições de fraude contra as quais teria de se apresentar. E esse seu último acto político foi ainda pretexto para mais alguns escritos importantes.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994