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domingo, 20-08-2017
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Biografia

Biografia
                  

António Lobo de Almada Negreiros  
[Aljustrel, 1868 - Paris, 1939]  

António Lobo de Almada Negreiros
Poeta, escritor e jornalista.

Filho do jornalista Pedro de Almada Pereira e pai do pintor José de Almada Negreiros, António Lobo de Almada Negreiros, de seu nome completo, fez os preparatórios no Liceu de Beja e o curso do Instituto Comercial e Industrial em Lisboa. Em 1884 ingressou nos Correios e Telégrafos, tendo sido colocado em Ferreira do Alentejo. Em 1887 foi nomeado chefe da Estação dos Correios e Telégrafos de Monchique, em 1889 da de Portimão e em 1890 da de Cascais.

Nesse mesmo ano foi nomeado administrador do concelho de São Tomé, cargo que manteve até 1899 e que, em 1892 e 1893, acumulou com o de delegado do procurador da Coroa e Fazenda nas duas varas do mesmo concelho. Durante a sua estada em São Tomé casou com Elvira Freire Sobral, uma são-tomense filha natural de José António Freire Sobral e da mulata, nascida em Benguela (Angola), Leopoldina Amélia de Azevedo. Deste matrimónio nasceria, ainda em São Tomé, em 7 de Abril de 1893, José Sobral de Almada Negreiros. Elvira Sobral morreria em 1896, com apenas 23 anos de idade.

Em 1899, A. L. de Almada Negreiros foi encarregado pelo governo de Lisboa de organizar a representação das colónias portuguesas na Exposição Universal de Paris de 1900, pelo que deixou São Tomé. E, dado o êxito da sua missão, foi de seguida encarregado de organizar a representação portuguesa na Exposição Colonial de 1906, também em Paris. Entretanto, em 1905, fundara naquela cidade o Museu Colonial de Portugal. Com a proclamação da República, o governo de Lisboa nomeou-o encarregado dos serviços de propaganda de Portugal em Paris, com a categoria de vice-cônsul, cargo de que haveria de ser exonerado, em 1918, pelo governo de Sidónio. A partir daí ficaria a viver na capital francesa apenas como jornalista.

Fundou os jornais O Ferreirense, de Ferreira do Alentejo (1884), O Patriota, de Monchique (1890) e Meio-Dia, diário de Lisboa (1890), folhas de que foi o principal redactor. Quando em 1900 se fixou em Paris, levava o encargo de dali escrever para O Século, jornal de que foi correspondente na frente de guerra, em 1918, e para o qual trabalhou até muito próximo da sua morte. Colaborou ainda, com o seu nome ou com o pseudónimo de João Alegre, na Gazeta de Portugal, o Universal, no Correio da Noite, no Diário Popular, no Portugal e no País. Escreveu para dezenas de jornais e de revistas da França, da Inglaterra, da Bélgica, da Suíça, da Alemanha e da Holanda, sobretudo sobre temas coloniais, de que era considerado grande especialista. Desses jornais destacam-se Le Figaro e Le Soir de Paris, o Financial Times de Londres, L'Indépendence Belge e La Chronique de Bruxelas, o Guardian e Die Post de Hamburgo, o Neweste Rotterdamsche Courant de Roterdão, e os suíços Journal de Genève, Tribune de Genève e La Gazette de Lausanne. Trabalhou como correspondente de guerra nas frentes francesa e italiana para a American Agency e a Exchange Telegraphe.

Estreara-se em livro em 1888 com a recolha de poemas Lyra Occidental. Mas a sua maior produção em livro aborda temas coloniais ou afins e foi escrita em francês, tendo sido editada em Paris ou em Bruxelas. A sua primeira monografia foi escrita em São Tomé e ilustrada por seu cunhado, Joaquim Freire Sobral, que, além de filho do proprietário da Roça Saudade, onde nasceria José de Almada Negreiros, era também pintor.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994