Júlio Brandão
[Vila Nova de Famalicão, 1869 - Porto, 1947]
Arqueólogo e professor, poeta marcado pelo simbolismo, e memorialista. Foi director do Museu Municipal do Porto e colaborador de O Primeiro de Janeiro. Amigo indefectível de Raul Brandão, escreveu de parceria com ele (além do folheto Os Nefelibatas, em que terá também colaborado Justino de Montalvão), Vida de Santos, (1891) e as peças A Noite de Natal (1899, mas só publicada, com longo estudo de José Carlos Seabra Poreira, em 1981) e O Maior Castigo (1902). Em 1894 fundam e dirigem ambos, no Porto, a Revista de Hoje.
Publica em 1892 um primeiro livro de versos ao gosto simbolista, o Livro de Aglaïs, com carta-prefácio de Junqueiro o que o coloca entre os primeiros cultores portugueses do Simbolismo. É um poeta próximo da simplicidade característica de João do Deus, e, segundo o seu melhor estudioso, J. C. Seabra Pereira, impregnado dum «misticismo estranhamente dependente da volúpia sensível». Os seus versos são vazados em moldes populares, na linha dos rimances e xácaras do romanceiro.
Em prosa, merecem destaque a novela Farmácia Pires, saída primeiro na Revista de Portugal de Eça de Queirós e depois incluída em volume com outros contos (1896), e os livros de memórias e crónicas literárias, escritas sempre em generoso e limpido estilo, a exaltar poetas, prosadores e também artistas plásticos (Roquemont, António Carneiro, etc.).
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994