Carlos Correia
[Castelo Branco, 1947]
Carlos Correia, nascido em Castelo Branco, em 1947, escritor e professor universitário, publicou, até ao presente, cerca de trinta livros para jovens e crianças. Dedicou-se ao Teatro para Jovens e desenvolveu investigação na relação de vanguarda que a Arte do Espectáculo tem com o multimedia. Actualmente é director do Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas na Universidade Nova de Lisboa e responsável pela área de E-learning na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da mesma instituição, onde se doutorou e prestou provas de agregação.
Com uma obra que oscila entre o texto narrativo – contos e novelas de aventura e mistério – e o dramático, é detentor de vários prémios e menções honrosas, que vêm galardoar títulos sobejamente conhecidos. Entre eles figuram, na área da narrativa, A Locomotiva Tchaaf (1980) (Prémio Revelação da Fundação Calouste Gulbenkian, 1980, e «IBBY Honour List» em 1982); O pífaro Lá-Mi-Fá-Sol (1980) e Job o ás do bilas (1982), ambos Menção Honrosa do Prémio Calouste Gulbenkian, 1980. Na área do teatro, foram distinguidos, em 1979, Chapéu mágico (1.º Prémio do Concurso de Textos Originais da RTP) e Saltimbancos (2.º Prémio do Concurso Nacional de Teatro do Ministério da Cultura); 1982 foi o ano da atribuição do 1.º Prémio do Concurso de Originais de Teatro do TEP, pela peça À laminuta.
Sempre imbuída de inequívoca preocupação social e incitando à construção de princípios universais – paz, amor, justiça, liberdade – (O búzio de nácar, 1986; Job o ás do bilas, 1987), a sua obra está, por vezes, enraizada numa intertextualidade que se serve de novelas de cavalaria e ficção científica (Ulipsis a cidade Submersa, 1987) ou da novela de aventuras (A paixão do Mascarilha Negra, 1987) e policial (O mistério do Falcão Azul; O mistério dos cheques carecas e todos os títulos da colecção “Mil e um detectives”, em co-autoria com Maria Alberta Menéres e Natércia Rocha). Outras vezes, e apesar da evidente sedução pelo futuro, representado pelo computador (O estranho caso do vírus diabólico, 1991), subjaz-lhe a memória de elementos, mais à dimensão humana, que conduzem à fuga ao prosaísmo quotidiano e ao reencontro do sonho, construtivo e enriquecedor – o pífaro, o iô-iô, o berlinde e... o comboio (O pífaro Lá-Mi-Fá-Sol, 1987; O iô-iô apaixonado, 1983; Job o ás do bilas, 1987; A locomotiva Tchaaf, 1980).
É através desta multiplicidade temática, genológica e discursiva que Carlos Correia desperta o público infantil e juvenil para a aventura e o imaginário sem, contudo, esconder a realidade castradora ou a luta necessária para atingir a adultez «de corpo inteiro».
Bibliografia selectiva: A locomotiva Tchaaf (1980), Lisboa: Sá da Costa; O pífaro Lá-Mi-Fá-Sol (1980), Lisboa: Sá da Costa; O búzio de nácar (1986), Lisboa: Caminho (1981); Job o ás do bilas (1982), Lisboa: Sá da Costa; O chapéu mágico (1982), Lisboa: Sá da Costa; Ulipsis a cidade submersa (1987), Lisboa: Plátano; Berlindes de cristal (1988), Lisboa: Plátano; Os pés pequeninos (1989), Lisboa: Plátano; Alex, o amigo francês (1989), Lisboa: Caminho; O mistério da ruiva Ifigénia (co-autoria com Maria Alberta Menéres e Natércia Rocha), (1992), Lisboa: Caminho.
[Leonor Riscado]
02/2012