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quinta-feira, 16-04-2026
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Biografia

Biografia
                  

Mário Castrim  
[Ílhavo, Aveiro, 1920 - Lisboa, 2002]  

Mário Castrim é o pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca que nasceu em Ílhavo, em 31 de Julho de 1920, e morreu em Lisboa, em 15 de Outubro de 2002. Foi casado com Alice Vieira (v.) e pai de Catarina da Fonseca (v.). Como professor do Ensino Secundário iniciou a sua actividade docente na Escola Comercial Ferreira Borges; cedo passou para o jornalismo, onde desenvolveu um trabalho marcante – no extinto Diário de Lisboa, quer como coordenador do suplemento juvenil, orientando os jovens nos seus primeiros passos literários, quer como crítico diário de televisão, e, posteriormente, no Tal e Qual, com uma coluna semanal, constituiu uma referência incontornável. Publicou ainda na revista para jovens Audácia, dos Missionários Combonianos. De referir, também, que, entre finais da década de setenta inícios da de oitenta, manteve, no Diário de Lisboa, uma pequena e pioneira coluna de crítica de livros infantis.

Na literatura para o público adulto foi premiado como contista e publicou poesia, peças de teatro e livros de ensaio e crónica, mas é na literatura infantil que o seu trabalho criativo tem sido mais reconhecido pela qualidade literária dos títulos publicados. Aqui encontramos a perfeita associação entre o acto lúdico da leitura e as solicitações do texto para uma recepção adequada aos níveis cognitivo e afectivo.

O humor perpassa nos seus livros como uma componente indispensável à estruturação intelectual do jovem leitor, fortalecendo neste a capacidade de compreender o mundo com a distanciação protectora e simultaneamente necessária para superar as pequenas angústias do quotidiano. Ora optando pelo nonsense, visível na subversão das estruturas lógicas do pensamento, ora jogando com o cómico de linguagem ou de situação, Mário Castrim movimenta-se com absoluta mestria na arte de divertir inteligentemente o leitor. O universo absurdo das partes de uma casa ou do seu mobiliário (Histórias com juízo, 1969) apresenta uma coerência que a criança identifica a nível do seu imaginário e apreende em termos de inteligência afectiva. Quando opta pelo discurso poético, explora todas as potencialidades mágicas das palavras, convidando o jovem leitor a percorrer, umas vezes com o riso de quem se diverte com o nonsense, outras com o ar sério de quem começa a compreender o mundo (Estas são as letras, 1977; Colóquio, 1977). A gargalhada gostosa pode também surgir pela sucessão vertiginosa de situações caricatas vividas por personagens muito próximas do nosso quotidiano; isso vai facilitar a interiorização por parte do leitor – e é a intenção de Mário Castrim – de algumas ideias que se prendem com a comunicação entre as pessoas e com a sua capacidade de estreitar laços.

A maneira muito peculiar de este autor transmitir valores fundamentais para a construção do homem é visível nas obras atrás referidas e, igualmente, em títulos dirigidos a leitores com um maior fôlego de leitura. A liberdade, a justiça, a solidariedade, a amizade, a luta contra a opressão e a marginalização são elementos recorrentes ao longo da sua produção literária. A constante procura de um espaço onde não haja servidão e prepotência, a não aceitação da injustiça e do despotismo, aliada ao reconhecimento do direito à felicidade encontram-se presentes em títulos onde o autor, ora recorrendo a uma parábola (O cavalo do lenço amarelo é perigoso, 1971), ora a elementos maravilhosos (Váril, o herói, 1994), ora à memória da sua vida de professor (O caso da Rua Jau, 1994), nos oferece uma leitura inteligente e construtiva.

Nos últimos anos de vida, e pensando nos pré-leitores e leitores iniciais, criou e desenvolveu uma série de pequenos e divertidos álbuns, sempre ilustrados por Elsa Navarro e protagonizados pela girafa Gira Gira.


Bibliografia selectiva: Histórias com juízo (1969), Lisboa: Fernando Ribeiro de Mello; O cavalo do lenço amarelo é perigoso (1971), Lisboa: Caminho, 1986; Colóquio (1977), Lisboa: Plátano; Estas são as letras (1977), Lisboa: Plátano; A caminho de Fátima (1992), Lisboa: Caminho; Váril, o herói (1994), Lisboa: Caminho; O caso da Rua Jau (1994), Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa; História do fundo do mar (1998), Porto: Campo das Letras; Gira Gira e Adriana (2001), Porto: Campo das Letras; Gira Gira aprende música (2004), Porto: Campo das Letras; A moeda do sol (2006), Porto: Campo das Letras.


[Rui Marques Veloso]
02/2012