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terça-feira, 19-02-2019
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Biografia

Biografia
                  

Matilde Rosa Araújo  
[Lisboa, 1921 - Lisboa, 2010]  

Matilde Rosa Araújo nasceu em 1921, em Lisboa, onde morreu em 2010. Licenciou-se em Filologia Românica em 1945. Foi professora do ensino secundário em vários estabelecimentos de ensino do país e leccionou também literatura infantil em escolas de formação de professores.

Torna-se conhecida no mundo das letras em 1943, com a novela Garrana, que ganhou um prémio, e em 1945 com Estrada sem nome, obra igualmente premiada. Publicará ainda outros livros para adultos, nos domínios da narrativa, da lírica e do ensaio.

No âmbito da literatura para crianças e jovens – em que se tornou figura de referência –, recebeu, em 1980, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças pelo conjunto da sua obra e, em 1991, o Prémio pelo Melhor Livro Estrangeiro concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (Brasil). Pelo conjunto da sua obra, a Autora foi ainda nomeada candidata ao Prémio Hans Christian Andersen em 1994, pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People).

O seu interesse pela literatura para crianças, o gosto de escrever para elas surge da sua experiência docente. Na sua vasta obra podemos encontrar poesia, contos, ensaios, e ainda uma colectânea de textos destinada às escolas do Ensino Primário (actual 1.º ciclo do Ensino Básico). Organizou também duas antologias de textos literários – As crianças todas as crianças (1979) e A infância lembrada (1986) – oferecendo assim ao grande público uma recolha dos mais significativos textos sobre a criança. Algumas das suas obras foram publicadas na ex-URSS, no Brasil, na Roménia e em Espanha.

Na obra de Matilde, a criança constitui o pólo aglutinador, capaz de dar unidade às cerca de quatro dezenas de títulos que publicou. A sua primeira obra – O livro da Tila, (1957) – oferece-nos uma visão profundamente terna da infância; nestes poemas (parte dos quais viria a ser musicada por Fernando Lopes-Graça), assiste-se à descoberta do mundo por parte da criança, sempre guiada pela figura materna. Nas obras que se seguem, nota-se que o seu olhar se dirige preferencialmente às crianças pobres, os que estão sós, os que sofrem. Mas a Autora oferece-lhes um horizonte, uma companhia. E vemo-las sonhar com viagens imaginárias, como a que realizam ao país da Sonholândia (cf. O Reino das Sete Pontas, 1974). Os jogos do faz-de-conta e mais brincadeiras do universo infantil são outra constante da sua obra. Tomando a sério a dinâmica da fantasia infantil, encaminha-a numa direcção maturativa, impedindo-a, assim, de se desviar para caminhos de fuga à realidade.

Colaborou em dezenas de jornais e revistas, numa escrita fortemente comprometida e crítica. Nos seus textos aborda desde os problemas morais e cívicos aos pedagógicos, numa linguagem que apela à comunhão e à simpatia humanas.


Bibliografia selectiva: O livro da Tila (1957), Lisboa: Editorial dos Nossos Filhos; O palhaço verde (1962), Lisboa: Portugália; O cantar da Tila (1967), Coimbra: Atlântida; O Sol e o menino dos pés frios (1972), Lisboa: Ática; História de uma flor (1976), Lisboa: Caminho, 2008; As botas de meu Pai (1977), Lisboa: Horizonte; A guitarra da boneca (1983), Lisboa: Horizonte; Mistérios (1988), Lisboa: Horizonte; O passarinho de Maio (1990), Lisboa: Horizonte; Problemas (1994), Lisboa: Vega; As fadas verdes (1994), Porto, Civilização; As cançõezinhas da Tila (1998), Porto: Civilização, 1998 (com partituras de Fernando Lopes-Graça e CD); Segredos e brinquedos (1999), Lisboa: Caminho, 1999; Anjos de pijama (2005), Lisboa: Texto; O capuchinho cinzento (2005), Lisboa: Paulinas; A saquinha da flor (2006), Vila Nova de Gaia: Gailivro; A boneca Palmira (2007), Porto: Eterogémeas; Lucilina e Antenor (2008), Vila Nova de Gaia: Calendário de Letras; Florinda e o Pai Natal (2010), Vila Nova de Gaia: Calendário de Letras.
[Maria Augusta Seabra Diniz]
02/2012