António Lobo Antunes
[Lisboa, 1942]
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Psiquiatra de profissão, iniciou a publicação da sua obra literária, para adultos, em 1979, com Memória de elefante, a que se seguiram mais de vinte romances – como Fado alexandrino (1983), As naus (1988), Não entres tão depressa nessa noite escura (2000), O arquipélago da insónia (2008), Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? (2009), Sôbolos rios que vão (2010) –, além de livros de crónicas. As vivências da Guerra Colonial (que presenciou em Angola, durante dois anos) constituem parte do substrato temático dos seus romances. Actualmente, é um dos autores portugueses mais traduzidos no estrangeiro e a sua obra tem sido muitas vezes premiada. Recordem-se algumas dessas distinções: Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (1985), Prémio Franco-Português (1987), Prémio Melhor Livro Estrangeiro publicado em França (1997), Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco (2000), Prémio União Latina (2003), Prémio Ovídio da União dos Escritores Romenos (2003), Prémio Fernando Namora (2004), Prémio Jerusalém (2005), Prémio Camões (2007), Prémio José Donoso (2008).
Em A história do hidroavião – único volume do Autor integrado numa colecção juvenil –, as personagens patenteiam a saudade e o desejo por um espaço/tempo vividos (em África) ou por viver (em Lisboa); embora individualizadas, nelas se reflectem os grandes e pequenos destinos de um povo, cruzando-se memórias epopeicas com a miserabilidade da vivência quotidiana. Contraponto eufórico à situação vivida, na estranha história da viagem, feita pelos protagonistas, num velho hidroavião, ecoa, a contrário, a História. Estes tópicos, pouco habituais nos textos para jovens, surgem a par de um aturado trabalho estilístico (proliferam metáforas, onomatopeias, repetições) e de uma técnica narrativa em que há um registo de várias vozes.
Bibliografia: A história do hidroavião (1994), Lisboa: Contexto & Imagem.
[Violante Magalhães]
02/2012