Dom Agostinho Barbosa
[Aldão, Guimarães, 1590 - Ugento, Itália, 1649]
Filólogo e jurista.
Bispo de Ugento. Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1608, tendo-se ali licenciado em Cânones em 1616. Entretanto, em 1611, com apenas vinte e um anos de idade, publicou a sua primeira obra, um dicionário de latim-português, e em 1615 foi ordenado sacerdote. Depois de ter estado em Espanha, em França e na Alemanha, países em cujas universidades ensinou, fixou-se em Roma, onde se doutorou in utroque iure (simultaneamente em Direito Civil e em Direito Canónico) em 1621. Por nomeação de Filipe IV de Espanha foi sagrado Bispo de Ugento, no então Reino de Nápoles, em 8 de Abril de 1649, tendo ali falecido em 9 de Novembro daquele mesmo ano.
Tornado famoso como jurista, as suas obras então editadas em toda a Europa culta tornaram-se de consulta obrigatória pelos canonistas que se lhe seguiram, sendo ainda hoje incontornáveis, sobretudo para quem necessite estudar o direito pontifício. A sua bibliografia completa ultrapassa as três dezenas de volumes, tendo ainda anotado a obra sobre o Concílio de Trento, do beneditino e professor de Teologia da Universidade de Compostela Petro Vicentio de Marcilla, editada em Colónia (1621) e em Antuérpia (1644).
A obra mais procurada do doutor Agostinho Barbosa e, por isso mesmo, a que mais vezes foi reeditada, é De Iure Ecclesiastico Universo (1634).
Apesar da dimensão e da importância da sua obra e da fama que grangeou e de que, entre os canonistas, ainda beneficia, Agostinho Barbosa sofreu durante muitos anos entre nós daquele esquecimento que tem recaído sobre muitos dos seus contemporâneos que, coincidentemente, fizeram as suas carreiras e obtiveram os seus sucessos internacionais no chamado Período Filipino. Mas este teve a sorte de nos anos cinquenta deste século ter sido retirado da sombra, graças aos estudos que lhe dedicou o doutor Américo do Couto Oliveira, professor de Teologia em Roma.
Centro de Documentação de Autores Portugueses
08/2000