Domingos Monteiro
[Barqueiros, Mesão Frio, 1903 - Lisboa, 1980]
Estreou-se nas letras aos 15 anos de idade com um livro de poemas prefaciado por Teixeira de Pascoaes que saudou nele um poeta «encantador» a quem a «lira de Frei Agostinho e Camões» não seria estranha. Dois anos depois, novo livro de poemas, A Nau Errante, confirmava as qualidades do jovem.
Licenciado em Direito, exerceu a advocacia durante um longo período, dando à estampa dois pequenos volumes de doutrina e crítica social, um deles – Bases da Organização Política dos Regimes Democráticos, 1931 – imediatamente colocado fora do mercado pelo regime de censura fascista, e o outro – Crise de Idealismo na Arte e na Vida Social, 1932 – motivo de repercussão na vida mental portuguesa de então. Em 1944, um novo livro – Paisagem Social Portuguesa – vê abater-se sobre si a censura, sendo posto fora do mercado.
Fundador, em 1948, da editora Sociedade de Expansão Cultural e, posteriormente, director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian.
Iniciado no saudosismo, tendência literária de Pascoaes, viria a afirmar-se como novelista excepcional e a situar-se literariamente próximo do grupo da revista Presença, embora na sua obra literária os elementos psicológicos, que o fazem feliz seguidor da novela camiliana, se combinem com elementos sociais que, para o diário O Século (5/2/1948), por exemplo, mereceu esta acentuação: «O diálogo permite entrever no autor a sua agilidade em dividir as cenas e em movimentar os personagens, numa bela vocação para o cinema, pois o leitor não apenas "lê", mas "vê", a cada instante, e de modo directo, a própria vida das pessoas evocadas.»
Tentou também o teatro, para o qual escreveu a peça em três actos A Traição Inverosímil, dada à estampa em 1958 e levada à cena no Teatro da Trindade em 1964.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997