Abel Botelho
[Tabuaço, 1854 - Buenos Aires, Argentina, 1917]
Oficial do Exército, deputado republicano, senador, académico e diplomata, romancista e dramaturgo, a sua obra literária situa-se na encruzilhada do naturalismo e decadentismo e pode, a esse título, considerar-se exemplar.
Entre 1891 e 1910 publicou, sob a designação genérica de «Patologia Social» cinco romances – O Barão de Lavos, O Livro de Alda, Amanhã, Fatal Dilema e Próspero Fortuna –, que ainda hoje surpreendem pela ousadia dos temas abordados e pela solidez da construção. Por sua vez, nos contos de Mulheres da Beira (1898) encontram-se algumas das melhores páginas do naturalismo rural nas nossas letras.
A polémica suscitada em tomo da rejeição, pela empresa do Teatro Nacional, do seu primeiro drama, Germano (1886), renovou-se com as apresentações de Jucumba (1889), pela sua crítica acerba aos meios pretensiosamente artísticos da capital e pelo audacioso desenho da sua mórbida protagonista, e de Vencidos da Vida (1892), que as autoridades proibiram a pretexto de «ofender a moral pública», mas na realidade por visar o grupo a que pertencia o então ministro da Fazenda, Oliveira Martins.
Usou, como poeta e dramaturgo, o pseudónimo de Abel Acácio.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990