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quarta-feira, 23-09-2026
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José Viale Moutinho (1945-2026)

José Viale Moutinho (1945-2026)
Data :
22/09/2026

​Escritor, poeta e jornalista, José Viale Moutinho deixou uma obra marcada pela literatura, pelo jornalismo e pela investigação.


Morreu, aos 81 anos, o escritor, poeta e jornalista José Viale Moutinho, autor de obras como Cenas da Vida de um Minotauro e Monstruosidades do Tempo do Infortúnio. Ao longo de várias décadas, destacou-se na literatura e no jornalismo português, tendo colaborado com vários jornais e revistas e exercido funções de chefia no Diário de Notícias.

A sua atividade estendeu-se para além da escrita e do jornalismo. Foi presidente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e integrou as direções da Associação Portuguesa de Escritores, da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia e do Círculo de Cultura Teatral. Fez ainda parte do Conselho Geral da Comissão Nacional da UNESCO.

Como escritor, destacou-se sobretudo enquanto poeta e ficcionista, mas dedicou também parte do seu percurso à investigação literária e etnográfica. Desenvolveu trabalhos sobre autores como Camilo Castelo Branco e Trindade Coelho e publicou recolhas de literatura popular portuguesa.

José Viale Moutinho dedicou-se igualmente à tradução de autores espanhóis, galegos e franceses, tanto para edição em livro como para representações teatrais. Ao longo da carreira, prefaciou, anotou e deu a conhecer obras inéditas de escritores como Camilo Castelo Branco, Trindade Coelho, António Nobre, Júlio César Machado, Oliveira Martins, A. Tomás Pires e Curros Enriquez.

A sua obra alcançou também dimensão internacional. Os seus textos foram traduzidos para várias línguas, entre elas castelhano, asturiano, catalão, galego, italiano, húngaro e russo, e integrou antologias de literatura portuguesa publicadas em países como Brasil, Hungria, Bulgária e Rússia.

Membro do Pen Clube Português, foi ainda membro de honra da Real Academia Galega e sócio da Academia de Letras de Campos de Jordão, no Brasil. O seu percurso deixa uma presença prolongada na literatura, no jornalismo e na divulgação da cultura portuguesa.


Fotografia: Jornal Público | Fernando Veludo/Arquivo