Albino Forjaz de Sampaio
[Lisboa, 1884 - Lisboa, 1949]
Poeta, jornalista, divulgador literário e prosador, cultivou um naturalismo na linha de Fialho ou de Raul Brandão, onde desponta uma amarga sabedoria e um desencantado pessimismo, colhidos quer na filosofia de Nietzsche, quer na divulgacão que na época foi dada a autores como o Schopenhauer de Dores do Mundo.
Sobre uma base de amoralismo e cinismo vazados em formas convencionais, Forjaz de Sampaio consegue algumas páginas em que dá veemente testemunho de ambientes de grande miséria física e moral da cidade (sobretudo da cidade de Lisboa), salientando-se a sua grande capacidade para reproduzir do modo mais natural e espontâneo o linguajar desses mesmos meios.
Colaborador de grande número de jornais e revistas, tornou-se célebre com a publicação de Palavras Cínicas, obra repleta de aforismos provocadores e amorais, que conta numerosas edições.
Apaixonado bibliófilo, reuniu dados biográficos e bibliográficos sobre figuras importantes da literatura portuguesa, tendo publicado curiosos trabalhos impressionistas sobre Camilo, Fialho, Eça e sobre uma série de autores injustamente esquecidos. Dirigiu uma série de cadernos antológicos «Colecção Patrícia», e uma História da Literatura Portuguesa Ilustrada (4 vols.) contendo rica iconografia. Relacionado com o seu interesse pelos livros é ainda o manual de organização bibliográfica Como Devo Formar a Minha Biblioteca, 1938.
Pertenceu à Academia das Ciências de Lisboa.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994