Maria Alzira Seixo
[Barreiro, 1941 - Lisboa, 2026]
Professora catedrática de Literatura Francesa na Universidade de Lisboa, dedicou-se ao estudo da Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, da Literatura Francesa Clássica e de questões de pedagogia literária.
Autora de diversos trabalhos de investigação na sua área, de ensaios sobre literatura portuguesa e de alguns livros de poesia, sentiu despertar a sua vocação ensaística nos bancos da universidade, quando assistia às aulas de Jacinto do Prado Coelho e David Mourão-Ferreira.
Denotando rigor e capacidade de assimilação de múltiplas tendências teóricas, publicou o primeiro livro em 1968, intitulado Para o Estudo da Expressão do Tempo no Romance Português Contemporâneo, obra que conheceu entretanto uma 2ª. edição, revista, que inclui estudos adicionais sobre a obra de Agustina Bessa Luís, Vergílio Ferreira, Maria Judite de Carvalho e Augusto Abelaira.
Para a sua formação muito contribuiu a participação em tertúlias informais, como as reuniões no Café Monte Carlo, com o grupo de Carlos de Oliveira e José Gomes Ferreira, e os encontros regulares do que seria mais tarde o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, de que faziam parte Jorge Peixinho, Mário Falcão e Emanuel Nunes.
Procurando aprofundar muitos dos problemas teóricos levantados pela crítica literária, criou e dirigiu as revistas Ariane (estudos franceses) e Dedalus, esta última da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, instituição à qual presidiu. Apresentando uma multiplicidade de métodos interpretativos, a revista Dedalus foi uma das principais responsáveis pela divulgação, em Portugal, do chamado Pós-Modernismo, de que é exemplo a publicação das Actas do Seminário sobre o Pós-Modernismo na Literatura Europeia, realizado em Abril de 1991.
Colaborou assiduamente na Colóquio/Letras e no Jornal de Letras, Artes e Ideias. Participou na elaboração de várias antologias de Literatura Portuguesa, como a antologia comentada a O Livro do Desassossego, dotada de rigoroso aparato crítico. Dirigiu a colecção «Práticas de Leitura» (Editora Arcádia), que publicava textos de problemática marxista, semiológica e estruturalista, e a colecção «Textos Literários» (Editorial Comunicação), de introdução à leitura de escritores portugueses, e a colecção «Viagem» da Editora Cosmos.
Fo Presidente da Associação Portuguesa de Literatura Comparada e da Federação Internacional de Línguas e Literaturas Modernas, e Presidente do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários entre 1984 e 1987, sucedendo ao Professor Jacinto do Prado Coelho. O livro A Palavra do Romance, publicado em 1986, recebeu o Prémio de Ensaio do PEN Clube Português, de cujo júri faziam parte Ana Hatherly, Eduardo Lourenço e Fernando Guimarães.
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01/2026