A escritora e politóloga Aida dos Santos foi distinguida com o Prémio Nacional de Ensaio de Espanha 2026 pela obra Hijas del hormigón: historias de clasismo, sexismo y violencia en las periferias españolas, publicada pela editora Debate. O galardão, atribuído pelo Ministério da Cultura espanhol, tem um valor pecuniário de 30 mil euros.
O júri destacou a abordagem original, corajosa e enriquecedora da obra, que dá visibilidade às experiências das mulheres que vivem e trabalham nas periferias espanholas e que asseguram o funcionamento de setores essenciais da sociedade e da economia. Através de testemunhos individuais, contextualizados numa trajetória histórica documentada de forma rigorosa, Aida dos Santos analisa as condições de precariedade e de desigualdade que marcam a vida destas mulheres.
A obra propõe uma reflexão sobre a intersecção entre o racismo, o classismo, a violência e o sexismo nos mecanismos contemporâneos de exclusão social. O júri salientou ainda a forma como o ensaio contraria as representações redutoras da pobreza e a visão tradicionalmente masculina da classe trabalhadora, transformando experiências individuais numa reflexão coletiva sobre questões sociais frequentemente ignoradas.
Nascida no Algarve, em 1992, Aida dos Santos é licenciada em Ciência Política pela Universidade Complutense de Madrid, técnica de investigação social aplicada e analista de dados. Foi distinguida, em duas ocasiões, com o Prémio CEDEJEM de Ensaio Europeu e colaborou com diversos órgãos de comunicação social.
Com esta distinção, a autora sucede a Remedios Zafra, vencedora da edição de 2025, cujo ensaio El informe. Trabajo intelectual y tristeza burocrática aborda o trabalho intelectual e as suas relações com a burocracia.
O Prémio Nacional de Ensaio reconhece obras que se distinguem pela criatividade, originalidade, qualidade literária e capacidade de reflexão crítica, valorizando o ensaio enquanto género literário.
Fotografia: Editorial Debate.