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MATILDE ROSA ARAÚJO

MATILDE ROSA ARAÚJO
Data :
18/06/2021

​20 de junho de 2021: dia para comemorarmos o 100.º aniversário de Matilde Rosa Araújo.


Comemora-se, a 20 de junho, o primeiro centenário de nascimento de Matilde Rosa Araújo (Lisboa, 20.06.1921-06.07.2010), voz maior da nossa literatura, que dedicou a sua vida à escrita e às crianças, as que ensinou e as que leram os seus livros. Entre 1941 e 1945 frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa e em 1943 publicou A Garrana, narrativa pela qual recebeu o seu primeiro prémio. Seguiram-se títulos como A Estrada sem Nome (1947), O Livro da Tila (1957), Desenho e Poesia (1958), O Palhaço Verde (1960), Praia Nova (1962), O Cantar da Tila (1967), O Sol e o Menino dos Pés Frios (1972), Joana Ana (1981), Voz Nua (1982) ou A Velha do Bosque (1983), que inclui uma belíssima narrativa sobre o 25 de Abril, “História de uma flor”, além de muitos outros. Pelo meio colaborou em revistas literárias como Árvore, Folhas de Poesia, Távola Redonda, Graal, e em obras coletivas como Bloco: Teatro, Poesia, Conto, publicação coordenada por Luís Pacheco e Jaime Salazar Sampaio. Escreveu artigos, contos e poemas e deu entrevistas que vieram a lume em páginas de inúmeras publicações. Assinou vários prefácios, apresentou livros, participou em colóquios e conferências, por cá e em países como o Brasil ou a França. Da sua experiência como docente de literatura para a infância ficamos a dever-lhe três importantes antologias: As Crianças todas as Crianças (1979), A Infância Lembrada (1986), A Estrada Fascinante (1988). Enunciou em verso Os Direitos da Criança e distribuiu sorrisos e gestos de ternura a todos os que se aproximaram dela. Hoje comemora-se o seu primeiro centenário. Para a homenagearmos nada melhor do que ler os seus textos. Então, vamos lá lê-los!



Aniversário

Aniversário efeméride dolorosa quando se não espera
Sinais de manso dizer de uma esperança
Quando desaprendemos de esperar já morremos
O circo fechou as suas luzes e cheira a suor e alvaiade
E encontro esse homem nas tesouras do tempo
Num jardim a dormir num banco ramo seco de uma árvore de raiz
E amo desesperadamente esse pária do banco público
Sem nada fazer e tanto sabendo
Quantos anos faço hoje? Tantos ritos tanto amor sangrado
Cheira a suor e alvaiade
Cansados e brancos todos os rostos.

Matilde Rosa Araújo, Voz Nua, p. 5



Fátima Ribeiro de Medeiros, IELT, NOVA-FCSH

20.06.2021




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     Matilde Rosa Araújo na Culsete, em Setúbal, em 2.04.2006, Dia Internacional do Livro Infantil