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Vergílio Ferreira e a Censura

Vergílio Ferreira e a Censura
Data :
27/01/2016

Encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, entre os processos de apreensão e proibição de publicações, documentação sobre a troca de correspondência entre Vergílio Ferreira e a Direcção dos Serviços de Censura a propósito de Manhã Submersa, Vagão J e A Face Sangrenta.​


Apresentamos uma síntese da informação sobre a correspondência entre Vergílio Ferreira e o Secretariado Nacional de Informação/Direção dos Serviços de Censura a propósito de Cavalo Degolado (Manhã Submersa), que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (à excepção do primeiro ofício proibindo o romance, que integra o espólio do autor na Biblioteca Nacional de Portugal).

- Em ofício datado de 29 de Maio de 1953 e endereçado a Vergílio Ferreira, quando era professor no Liceu de Évora, o Secretário da Direcção dos Serviços de Censura (DSC) dá conta da proibição do romance intitulado Cavalo Degolado. No ofício, que se encontra no Espólio do Autor na Biblioteca Nacional de Portugal, com a cota Esp. E31/3050, Vergílio Ferreira anotou a lápis, à margem, "teve depois o título de Manhã Submersa".

- Em carta datada de 31 de Maio de 1953, Vergílio Ferreira responde à DSC, dizendo: «Foi para mim uma amarga surpresa a eliminação radical do meu livro Cavalo Degolado. A amargura deriva da impossibilidade em que me vejo de lutar pela realização de mim próprio como artista. (…) Já que as circunstâncias a tal me obrigam, ouso reafirmar a V. Exª, com a consciência serena, que o romance eliminado não é um livro banal; que se a arte, como fundamental valor de cultura, tem entre nós a defesa que merece, é inteiramente justo que o meu livro seja revisto com uma tolerância que se lhe negou.»

- A DSC analisa novamente a obra e, através de ofício datado de 15 de Junho, escreve que, após novo exame do livro, «(…) poderá ser alterado o seu despacho proibitivo inicial desde que sejam aceites por V. Exª certos cortes agora propostos». No mesmo ofício, a DSC convoca Vergílio Ferreira para uma reunião.

- A 17 de Junho, Vergílio Ferreira responde à DSC, manifestando a sua «muita satisfação e desanuviamento» face ao pedido. Mostra ainda disponibilidade para uma reunião a partir do dia 30 daquele mês.

- Vergílio Ferreira, em carta de 22 de Setembro do mesmo ano, escreve: «Junto remeto a relação das emendas feitas no meu livro Cavalo Degolado, de acordo com as instruções do Exmo. Censor.» Em anexo, o autor envia duas páginas dactilografadas com as alterações julgadas necessárias para que o livro possa ser publicado. 

- A 28 de Setembro, a Censura comunica «que autoriza a publicação do livro "Cavalo Degolado", com as emendas apresentadas por V.Exa., para substituição dos cortes feitos no referido livro, com os quais o Exmº Director concordou.»

- Em 29 de Março de 1955, Vergílio Ferreira envia finalmente para a DSC um exemplar do livro Manhã Submersa, novo título que entretanto deu à sua obra. «(…) no intuito de melhorar artisticamente o livro, segundo o meu critério, algumas modificações me permiti introduzir no texto primitivo, a começar pelo título, que emendei de Cavalo degolado para o de Manhã submersa

 

26-Abril, sexta (1974)

«Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.»

Vergílio Ferreira, Conta corrente 1, Lisboa, Livraria Bertrand, 1980, p. 187.

 

  • Imagem: carta de Vergílio Ferreira, datada de 31 de Maio de 1953, em resposta à DSC.


Exposição Virtual no Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Espólio de Vergílio Ferreira na Biblioteca Nacional