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terça-feira, 25-06-2019
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FERNANDO NAMORA

FERNANDO NAMORA
Data :
15/04/2019

Centenário do Nascimento de Fernando Namora [Condeixa, 1919 - Lisboa, 1989]


O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa presidiu, em Condeixa-a-Nova, ao início das Comemorações do Centenário do Nascimento de Fernando Namora, tendo anunciado que o irá agraciar, a título póstumo, com a Ordem da Liberdade.  

«Fernando Namora licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1942. A sua vida de estudante liceal e universitário foi marcada por vicissitudes que desde muito cedo o projetaram para uma invulgar carreira de ficcionista, especialmente prolífica no género do romance. 

Em 1943 publica Fogo na Noite Escura na coleção "Novos Prosadores", coleção projetada para corresponder, na ficção, ao movimento literário designado por "Novo Cancioneiro".

As mutações que ocorrem no quotidiano do médico escritor, ao iniciar no país profundo a atividade profissional, facilitam o crescente empenho na prospeção de casos humanos em ambientes não de todo estranhos, visto provir de uma família ligada ao cultivo da terra, cuja tradição seu pai interrompeu ao passar a explorar um pequeno estabelecimento em Condeixa.

O chamado "ciclo rural" corresponderá à permanência em Tinalhas (em pleno surto volframista), Monsanto da Beira e Pavia. Em 1944, transfere-se de Tinalhas para Monsanto, a fim de desempenhar as funções de médico municipal substituto. Mais tarde rumará a Pavia para idêntica prestação de serviço, mas como titular do cargo. O "ciclo rural", que se estende de 1943 a 1950, é tido como o período durante o qual se consagram o romancista e o novelista. São então publicadas as novelas Casa da Malta e Minas de São Francisco, os romances A Noite e a Madrugada e O Trigo e o Joio, e esse surpreendente Retalhos da Vida de um Médico (1ª. série), que lhe dá projeção internacional a partir da edição espanhola prefaciada por Gregório Marañon.

O "ciclo urbano" caracteriza-se por uma situação de conflito declarado entre o "aldeão atarantado" e a sociedade lisboeta, e tem o seu ponto mais agudo na forte controvérsia gerada em torno do romance O Homem Disfarçado, tanto no seio da classe médica como nos meios literários. A trabalhar no Instituto Português de Oncologia, de Lisboa, desde 1950, Namora aludirá em diversas ocasiões à condição de inadaptado à vida citadina, e Mário Sacramento escreverá a propósito: "Os que nele (O Homem Disfarçado) se pressentiram retratados atribuíram-no ao despeito ou à desforra de quem preferiu, a uma carreira 'triunfal' de traficante do sofrimento alheio, a luta contra a alienação que tudo mascara."»

Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997

 

[Fotografia: Presidência da República Portuguesa]