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quarta-feira, 01-04-2020
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1 POEMA POR SEMANA 1 POEMA PER SETIMANA

1 POEMA POR SEMANA 1 POEMA PER SETIMANA
Data :
13/03/2020

Bocage: Os dois gatos / I due gatti



Os Dois Gatos

Dois bichanos se encontraram
Sobre uma trapeira um dia
(Creio que não foi no tempo
Da amorosa gritaria).

De um deles todo o conchego
Era dormir no borralho,
O outro em leito de senhora
Tinha mimoso agasalho.

Ao primeiro o dono humilde
Espinhas apenas dava;
Com esquisitos manjares
O segundo se engordava.

Miou, e lambeu-o aquele
Pelo ver da sua casta;
Eis que o brutinho orgulhoso
De si com desdém o afasta.

Aguda unhada vibrando,
Lhe diz: «Gato vil e pobre,
Tens semelhante ousadia
Comigo, opulento e nobre!

«Cuidas que sou como tu?
Asneirão, quanto te enganas!
Entendes que me sustento
De espinhas ou barbatanas?

«Logro tudo o que desejo,
Dão-me de comer na mão,
Tu lazeiras; e dormimos
Eu em cama, e tu no chão.

«Poderás dizer-me a isto
Que nunca te conheci,
Mas para ver que não minto
Basta-me olhar para ti.»

«Ui! (responde-lhe o gatorro,
Mostrando um ar de estranheza)
És mais que eu! Que distinção
Pôs em nós a Natureza?

«Tens mais valor? Eis aqui
A ocasião de o provar.»
«Nada (acode o cavalheiro),
Eu não costumo brigar.»

Então (torna-lhe enfadado
O nosso vilão ruim)
Se tu não és mais valente,
Em que és superior a mim?

«Tu não mias?» – «Mio.» – «E sentes
Gosto em pilhar algum rato?»
«Sim.» – «E o comes?» – «Oh! Se o como!»
«Logo não passas de um gato.

«Abate, pois, esse orgulho,
Intratável criatura:
Não tens mais nobreza que eu,
O que tens é mais ventura.»


I due gatti

Due mici s'incontrarono
Sopra una mansarda un dì
(Credo che non fu nel tempo
Dell'amoroso miagolio).

Di un d'essi il solo conforto
Era dormire nel braciere,
L'altro in un letto di signora
Trovava affettuoso ristoro.

Al primo l'umile padrone
Lische appena dava;
Con squisiti mangiari
Il secondo ingrassava.

Miagolò, e lo leccò quello
Al veder la sua casta;
Ma ecco che il bulletto orgoglioso
Da sé con sdegno lo scosta.

L'aguzza unghiata vibrando,
Gli dice: «Gatto povero e vile,
Hai una simile insolenza
Con me, opulento e nobile!

«Credi che sia come te?
Asinaccio, quanto t'inganni!
Pensi che io mi accontenti
Di lische o di pinne?

«Ottengo tutto ciò che desidero,
Mi fanno mangiare dalla mano,
Tu fai la fame; e dormiamo
Io nel letto, e tu per terra.

«Potresti dirmi quindi
Che mai ti conobbi,
Ma per veder che non mento
Mi basta guardarti.»

«Uh! (gli risponde il gattone,
Mostrando un'aria stranita)
Sei dunque meglio di me! Che differenza
tra noi ha deciso la Natura?

«Hai più valore? Ti dò
L'occasione di provarlo.»
«Niente (replica il cavaliere),
Non mi piace discutere.»

«Allora (gli risponde arrabbiato
Il nostro villano ostile)
Se tu non sei più valente,
In che cosa sei superiore a me?

«Tu non miagoli?» – «Miagolo.» – «E provi
Gusto ad acchiappare qualche ratto?»
«Sì.» – «E li mangi?» – «Oh! Se li mangio!»
«Allora non sei che un gatto.

«Cala, dunque, il tuo orgoglio,
Intrattabile creatura:
Non sei più nobile di me,
Hai solo più fortuna.»


© 2017, Importuna ragione. Lemma Press, Bergamo. A cura di Vincenzo Russo e Ada Milani


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